Tornados, temporais em sequência e enchentes: como o RS vive os efeitos de um El Niño histórico que já deixou 9 mortos

Temporais, tornados e enchentes: como o RS vive os efeitos de um El Niño histórico Nove mortes desde julho, dezenas de milhares de pessoas afetadas e uma sucess...

Tornados, temporais em sequência e enchentes: como o RS vive os efeitos de um El Niño histórico que já deixou 9 mortos
Tornados, temporais em sequência e enchentes: como o RS vive os efeitos de um El Niño histórico que já deixou 9 mortos (Foto: Reprodução)


Temporais, tornados e enchentes: como o RS vive os efeitos de um El Niño histórico Nove mortes desde julho, dezenas de milhares de pessoas afetadas e uma sucessão de eventos extremos marcaram os últimos meses no Rio Grande do Sul. Entre enchentes, granizo, ventos intensos e tornados, o estado enfrenta os efeitos combinados das mudanças climáticas e de um El Niño que pode figurar entre os mais impactantes já registrados. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp 🔥 O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo. Desde o começo do segundo semestre, a chuva acima da média vem provocando estragos em diferentes regiões gaúchas. A sequência de temporais começou ainda nos primeiros dias de julho, inicialmente no Norte do estado, mas rapidamente atingiu outras áreas. Em uma das ocorrências mais emblemáticas, uma casa foi arrastada pela força da água da Serra até o Vale do Taquari. A casa teria sido levada pela enxurrada durante a manhã na Linha Alcântara, em Bento Gonçalves. Adriana Glanert Os ventos fortes também causaram prejuízos e, ainda em julho, um tornado passou por três municípios do Noroeste gaúcho. Tornado deixa feridos no Noroeste do Rio Grande do Sul Redes sociais O cenário voltou a se repetir em agosto. Um novo tornado atingiu a Região Sul do estado, desta vez com intensidade ainda maior. Segundo registros citados no levantamento, as rajadas ultrapassaram 300 quilômetros por hora. Tornado atinge RS pela segunda semana consecutiva Paulo Cesar Maciel Andrade/Imagens cedidas Para o climatologista Francisco Eliseu Aquino, a tendência é que esses fenômenos se tornem cada vez mais frequentes. “É preciso se acostumar à presença dos eventos extremos e ao aumento da quantidade deles. Os tornados são um belo exemplo”, afirma. Segundo ele, os sistemas atmosféricos vêm se mostrando mais intensos na última década, o que pode resultar tanto em mais ocorrências quanto em eventos mais severos. Em agosto, três pessoas morreram em ocorrências relacionadas ao mau tempo. Já em setembro, o mês mais letal do período, foram registradas seis mortes, incluindo vítimas de enxurradas, choque elétrico provocado por fios rompidos e veículos arrastados pela água. Até esta publicação, três mortes em novembro estavam sob investigação para apurar se tiveram relação direta e foram provocadas pelos temporais. Além dos tornados, sucessivos episódios de chuva acompanhada de granizo deixaram um rastro de danos em diversas cidades. Os impactos avançaram pelos meses seguintes. Em setembro e outubro, novas tempestades atingiram regiões que já haviam sofrido anteriormente, desta vez com maior abrangência e intensidade. Efeitos do El Niño Aquino destaca que os efeitos observados no estado estão relacionados a um El Niño excepcionalmente forte. Na avaliação do climatologista, o fenômeno deve figurar entre os dois ou três mais impactantes para a humanidade, considerando consequências como mortes provocadas por ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos, além de prejuízos econômicos, sociais e ambientais. A meteorologia já vinha alertando para os efeitos do chamado super El Niño, que indicava volumes elevados de chuva para o segundo semestre do ano no Rio Grande do Sul. E não há perspectiva de trégua imediata. De acordo com o especialista, as condições atmosféricas devem permanecer durante a primavera e o verão, favorecendo a continuidade das chuvas acima da média e temperaturas mais altas. "As mesmas condições são esperadas pelas características ditadas por um El Niño, que, aparentemente, até esse momento, mostra a sua repetição. Então, chuva acima da média para toda a estação de primavera e verão, e em especial temperaturas bem mais elevadas", destaca o climatologista Aquino. Com isso, a expectativa é de que os eventos extremos continuem fazendo parte da rotina dos gaúchos pelo menos até o início do próximo ano. Tornado no RS RB Notícias de Giruá/Imagens cedidas VÍDEOS: Tudo sobre o RS