Pampas perderam 11,3 milhões de hectares de vegetação nativa em 40 anos, mostra MapBiomas

Estação Ecológica do Taim, no extremo sul do Rio Grande do Sul, reúne paisagens de campos e banhados típicas do bioma Pampa. FeBozza/Wikimedia Commons A re...

Pampas perderam 11,3 milhões de hectares de vegetação nativa em 40 anos, mostra MapBiomas
Pampas perderam 11,3 milhões de hectares de vegetação nativa em 40 anos, mostra MapBiomas (Foto: Reprodução)

Estação Ecológica do Taim, no extremo sul do Rio Grande do Sul, reúne paisagens de campos e banhados típicas do bioma Pampa. FeBozza/Wikimedia Commons A região dos Pampas perdeu 11,3 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024, aponta um novo levantamento do MapBiomas divulgado nesta sexta-feira (04). Segundo a análise da rede colaborativa que produz mapas e dados anuais sobre a cobertura e o uso da terra no Brasil, a redução atingiu principalmente os chamados campos naturais, vegetação característica dessa parte da América do Sul. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Dos 11,3 milhões de hectares perdidos nas quatro décadas, 10,5 milhões eram de vegetação campestre. No mesmo período, atividades agropecuárias e florestais ganharam espaço. A área destinada a cultivos anuais ou perenes, principalmente grãos, cresceu 33%, enquanto a superfície de florestas plantadas aumentou 503%. 📝ENTENDA: a região pampeana ocupa cerca de 109 milhões de hectares, ou 6% da América do Sul, e inclui o sul do Brasil, todo o Uruguai e áreas do centro-leste da Argentina. Sua vegetação típica é formada principalmente por gramíneas e outras plantas herbáceas nativas. As mudanças no uso da terra, no entanto, começaram antes do período analisado. Em 1985, primeiro ano da série histórica, 35% da região já havia sido convertida para pastagens cultivadas, agricultura, florestas plantadas ou áreas urbanas. Nas quatro décadas seguintes, essa transformação continuou. Em 2024, 46% da região estava ocupada por áreas cultivadas, segundo o levantamento. LEIA TAMBÉM: Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Cientistas descobrem microplásticos no corpo de girinos da Amazônia Agora no g1 Entre os três países analisados, o Brasil apresentou a maior perda proporcional de vegetação nativa. Em 1985, havia 12,4 milhões de hectares de cobertura natural na porção brasileira da região. Em 2024, eram 8,6 milhões. A redução foi de aproximadamente 3,7 milhões de hectares, ou 30%, e esteve associada principalmente à expansão da soja, segundo o MapBiomas. A área de florestas plantadas também cresceu no período no Brasil, passando de 44 mil para 738 mil hectares. A Argentina, por outro lado, teve a maior perda em números absolutos. Foram cerca de 4,8 milhões de hectares de vegetação nativa a menos entre 1985 e 2024, queda equivalente a 12% da cobertura registrada no início da série. No Uruguai, a redução da vegetação nativa chegou a 19%. O país também registrou forte crescimento de outras formas de ocupação do solo: a área agrícola passou de 1,4 milhão para 3,4 milhões de hectares, e as florestas plantadas cresceram de 117 mil hectares para 1,3 milhão de hectares. LEIA TAMBÉM: Por que Amsterdã proibiu qualquer propaganda de carne nas ruas ANTES e DEPOIS: imagem da Nasa mostra geleira na Antártida que recuou 25 km em tempo recorde A erupção vulcânica que produziu o som mais alto registrado na história Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil